Industry: série sobre o mercado financeiro é um guia sobre o que NÃO fazer

A produção explora o acelerado, caótico e faminto ambiente do mercado financeiro, em que o cenário é um Banco de Investimentos, em que a lógica que importa é alcançar resultados, não importa o que seja preciso fazer para consegui-los. Na ânsia por conquistar seu lugar ao sol, os 5 jovens selecionados vão dar tudo de si, entrando em um mundo de drogas, assédio sexual, abuso moral e muito ego.

Desde que foi lançada pela @HBO, a série britânica Industry foi imediatamente comparada a Mad Men. Não é à toa. As duas séries abordam um ambiente de trabalho nocivo, em que dinheiro é tudo que importa e os escrúpulos podem ser facilmente esquecidos.

No entanto, apesar das semelhanças, Industry lida, prioritariamente, com jovens na faixa dos 20 e poucos anos e que estão ansiosos para alcançar sucesso e estabilidade em um concorrido mercado financeiro para alavancar suas carreiras.

Vale estourar a pipoca e maratonar sem medo!

 

Personagens

Apesar da falta de rostos conhecidos, Industry reúne um elenco jovem e carismático, com ótima trilha sonora e um roteiro ágil. Uma das principais personagens, Harper (Myha’la Herrold) interpreta uma jovem afrodescendente vinda dos EUA e que tenta a vida em Londres. Por conta de sua origem e da escola em que estudou, ela encontrará muitas barreiras, que a farão tomar decisões difíceis e de ética duvidosa.

Do mesmo modo, a série costura estórias que abordam machismo, abuso de substâncias, excesso de trabalho e falta de empatia dos líderes. Yasmin, por exemplo, é considerada “bonita e rica demais” para o cargo e subestimada o tempo todo pelos seus colegas.

De outro lado, Robert é um jovem esforçado que tenta a todo custo mostrar seu valor, dando o melhor de si, mas é completamente ignorado por um gestor egoísta, manipulador e alienado.

Há ainda Hari, um rapaz que vive tenso, ansioso e preocupado e que usa uma infinidade de substâncias para manter a produtividade e apresentar resultados, enquanto é levado ao limite pela diretoria.

Tudo isso é explorado enquanto a estória segue o ritmo frenético do mercado financeiro. O espectador é convidado a mergulhar em um roteiro ágil, cheio de emoções que o faz lembrar que a brincadeira é mais séria do que parece.

 

O mercado financeiro vai muito além do Happy Hour

Industry reforça, o tempo todo, a importância de “estreitar relações”. Esse é um dos mandamentos dos líderes para o time de trainees, que se vê obrigado a tomar atitudes desesperadas para conseguir se aproximar dos clientes e fechar grandes negócios.

Aliás, boa parte da trama se passa fora do escritório, em almoços, festas, eventos e happy hours. O bar e restaurante se torna um prolongamento do local de trabalho, mostrando que a habilidade de criar vínculos é o necessário para conseguir a assinatura dos contratos.

Claro que isso tem um efeito negativo, como abuso de álcool, assédio sexual e a falta de limites a que esses jovens se submetem para ganharem destaque. Em parte, isso funciona porque o ambiente de trabalho é altamente competitivo e, ao invés da colaboração, o banco aposta na estratégia do “mata-mata” em que eles precisam superar os colegas a todo instante.

Logo, os protagonistas começam a se ver trabalhando 24 horas por dia, extremamente estressados, odiando seus companheiros, com a vida pessoal destruída e se sentindo insatisfeitos, ainda que ganhem dinheiro com tudo isso.

Algo digno de nota é o relacionamento dos gestores Eric e Daria com seus liderados. Ambos incentivam a busca de resultados agressivos e inclusive dão algumas dicas de como fazer isso, mas a forma como estabelecem as metas, realizam as cobranças e comunicam suas expectativas é desastrosa. Tudo que conseguem é estabelecer uma relação abusiva, onde não há motivação, mas apenas a sensação de que ninguém é bom o bastante.

Industry é um verdadeiro manual do que não fazer no mundo corporativo. A produção aborda ainda outros temas, como a falta de privacidade, os excessos no uso da tecnologia, meritocracia e a falta de ética nos negócios.

 

Industry X Revolução Industrial

Uma curiosidade: o nome um tanto peculiar para uma série que fala de um banco de investimentos busca fazer um trocadilho com a Revolução Industrial, que ocorreu no século XIX, na Inglaterra. Uma realidade em que as máquinas ganharam protagonismo na indústria, dando origem a jornadas de trabalho de 16 horas ou mais por dia, quando as pessoas ficaram sem vida, sem dinheiro para viver suficientemente bem e com nenhuma qualidade de vida física ou emocional.

Qualquer semelhança com o estilo de vida dos trainees da série não é mera coincidência.

Apesar de algumas críticas pelo excesso de cenas contendo sexo e drogas, Industry cumpre o papel de entreter com uma mensagem poderosa e atual. Tanto é que recebeu elogios de quem conhece a realidade retratada: os próprios banqueiros.

Um verdadeiro prato cheio para aqueles que querem evitar erros e olhar para o mundo do trabalho com olhos mais generosos.

P.S.: Industry tem apenas 16 episódios, divididos em duas temporadas e está disponível na HBO MAX. Há rumores, ainda não confirmados, de uma terceira temporada. Tomara!

— Por Ernesto Schlesinger

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